Um dia no parque

Um dia no parque

Mensagempor ocaahae » Qua Mai 15, 2013 12:30

RIO - distncia, a cena é : um domingo nos parques cariocas um sol ível e por . Um com espao suficiente para de bicicleta ou patins, , uma árvore, jogar fora, , piquenique com a famí ou amigos. Cariocas costumam esse nos fins de semana. Só que muitos dos que procuram essa de lazer colaboram para as áreas verdes da cidade.

No com o espao público de tudo : um guardanapo jogado no cho, uma guimba de cigarro atirada a esmo, de espalhados no gramado ou garrafas PETs boiando nos lagos. Em um único dia, os funcionários da Comlurb chegam a duas toneladas de em um dos 32 parques que a empresa pública limpa na cidade. resíduo suficiente para pouco menos da metade da caamba de um .

De , reproduz-se nos parques o que acontece nas ruas da cidade. se o espao público no tivesse . E a fosse dos garis. Há cariocas que fogem , aqueles que jogam no cho ou simplesmente o deixa para lá se justificam transferindo a obrigao de do para o público. O , por sua vez, joga a na de conscincia da populao. um que divide opinies e, quando os dois lados no se entendem, acontece na prática o que diz a chamada máxima das janelas quebradas: num prédio conservado, mais vndalos atuam; num , mais se acumula.

No há segredo, para um público , é um de conservao e uma certa vigilncia, além de um de orientao, placas pedindo que as pessoas mantenham o destaca o engenheiro Joo Alberto Ferreira, consultor de resíduos sólidos e da Universidade do do Rio de Janeiro (Uerj).

A foi testada no da Tijuca, quando o trabalhou na Comlurb, nos anos 90. Na época ele percebeu que, em trs horas, as áreas de lazer com churrasqueiras ficavam sujas. Um gari foi de planto no . A era o jogado no cho e colocá-lo imediatamente na :

As pessoas se sentiram controladas, mesmo sem o gari .

Injustia que todo carioca joga no cho. O de biologia nderson Oliveira costuma a alheia que se depara com ela. Ao com a famí na da Boa , num domingo ensolarado, indignou-se com a de com o :

Muitos pais esto perdendo a de a seus filhos que no se deve jogar em locais inadequados.

Sua filha de trs anos já sabe o do orgnico.

As pessoas mantm nos parques um hábito das ruas. No há preocupao em o espao público , seja nas ruas da cidade ou nas áreas verdes diagnostica Emí Eigenheer, que, asim Ferreira, é da Uerj. Intelectuais tentam a nos espaos públicos. Há quem diga que seja herana de uma tradio escravocrata. Outros falam em de fiscalizao. Acho que é uma combinao de todas essas hipóteses.

Estudioso do , Eigenheer as causas da de nos espaos públicos. Trs delas so de do público. Dessas, a primeira é a ineficincia da empresa responsável pela pública, a segunda é a de campanhas de educao ambiental para conscientizar o cidado e a terceira é a de punio dos infratores. O e último é e intransferível. Ou seja, cabe ao cidado assumir a de do seu próprio :

Sem a de cada um, no há que consiga uma cidade limpa.

As críticas de Eigenheer pública do incluem a de dados da Comlurb. A empresa desconhece o perfil do Sujismundo personagem publicitário Ruy Perotti e protagonista de uma campanha de e de nos anos 70. A própria Comlurb admite que é impossível uma dos resíduos sem um diagnóstico do problema. A empresa promete , em trs meses, o de uma de .

do está o diretor de Servios Especiais e Ambientais da Comlurb, Julio Cesar Santos, que assumiu o há pouco mais de 20 dias. Ele antecipou que a da Boa será o primeiro público a ser s novas regras da do :

No consigo planejar a pública sem o que ocorre nos parques. Nosso será o de hábitos de consumo. Com ele, poderemos quais so os melhores equipamentos para o do Flamengo, que podem no ser os mesmos da da Boa e vice-versa. No inverno, o usuários costumam um daquele que adotam no vero. Todo esse será para que os parques no fiquem com uma aparncia e com o transbordando.

Nome na praa

Outra de atuao da prefeitura será a punio. julho, quem áreas públicas no Rio á ser multado. O Programa quer valer a de Urbona, que data de 2001. Quem for pego na infrao jogando uma latinha no cho, por exemplo, á ser autuado em R$ 157. O da será segundo a da infrao, podendo a R$ 3 em de de entulho. E mais: quem no a á com o nome na praa. E aqueles que se recusarem a de identidade ou liberar o número do CPF podero ser levados para uma delegacia.

No do de de segurana, a ameaa de funcionou, criando um de . Quando ele se consolida, acaba provocando um efeito multiplicador comenta a psicóloga Cleide Sousa, doutorado no Laboratório de Psicologia Ambiental da Universidade de Brasí (UnB) enfocou o descarte em áreas públicas urbonas.

Sua , que durou quatro anos para ser concluída, testou a eficincia da fiscalizao e das campanhas de comunicao. Seu de foi um shopping de Brasí, que lanou mo de uma campanha , porém . Cartazes para o foram distribuídos na praa de alimentao. Em pouco caiu a menos da metade o percentual de pessoas que deixavam a , uma de 93% para 40%.

Os testes realizados durante as pesquisas permitiram que Cleide tirasse outras concluses. Um dos resultados que ela considerou mais interessantes foi a diferena entre o que é e o que é de pelas pessoas. Em mais de casos, os que declararam as consequncias socioambientais do descarte dos resíduos foram os mesmos que deixaram a própria bandeja suja a :

As campanhas podem funcionar, para as pessoas o que se espera delas. E, na em que as primeiras pessoas atendem, há um exemplo a ser pelas seguintes.

O da psicóloga no shopping de Brasí conseguiu evidncias de que os locais mantidos limpos tendem a ser mais tratados por seus frequentadores.

exemplo

O mesmo vem se repetindo no Madureira, público recebeu rasgados elogios dos garis da Comlurb. Lá as pessoas no deixam os detritos espalhados e usam as lixeiras do . Em nota, a empresa informou que as pessoas respeitam o espao se estivessem em . Fora dos cartes-postais, o da Zona , o terceiro maior e o mais da cidade, foi concebido para ser ecologicamente correto. Inaugurado em junho de 2012, já recebeu, por de suas boas práticas, o Ambiental (Aqua).

é o único em que a Comlurb tem a de com exatido a quantidade de : 23 toneladas de resíduos mensais, sendo que, em um único de semana, o peso varia de quatro a cinco toneladas. Outra exceo: uma caamba para reciclável recebe uma tonelada mensal de .

o de resíduos gerado nas áreas de lazer é um outro . Na hora de planejar o ao , materiais retornáveis e poucos produtos com embalagens descartáveis de plástico ou de papel reduzem o impacto ambiental da atividade. Exatamente fez o de amigos do de educao física Cláudio , que costuma se com os amigos no Lage, na Zona do Rio, para piqueniques nos fins de semana.

A administrao do fica a da de Artes Visuais, ligada Estadual de . Em vez da Comlurb, uma empresa privada foi contratada para a coleta de do .

Piquenique requer planejamento. No nosso , fizemos questo de no . Trouxemos sacos plásticos, porque as lixeiras no Lage costumam distantes. E também copos reaproveitáveis, o que diminui o de disse .

Cruzada a

Carto postal de So Paulo, o do Ibirapuera já enfrentou problemas sérios com o acú de . Transformado em de megashows da MPB aos domingos nos fins dos anos 90 Rita Lee chegou a 100 pessoas numa única apresentao em 1999 o Ibirapuera seus gramados e vielas ficarem cobertos por garrafas PET e copos de plástico ao das apresentaes. A explícita chegou a nos que usam o para e se de segunda a sexta. As grandes apresentaes ao deram a shows menores, em espaos apropriados, ainda asim o continua recebendo, em média, 350 de pessoas nos finais de semana.

Na última década, o paulistano aprendeu a o oásis verde de 1,5 milho de metros quadrados da Zona da cidade. Hoje, praticamente no se v no cho. quase se um visitante fiscalizasse o outro: se alguém jogar no cho, com será de reprovao.

Para Carlos Silva , diretor-executivo da Associao Brasileira das Empresas de Pública e Resíduos, uma das medidas que impulsionou a mudana de do paulistano foi a disponibilizao de nos parques, com a implantao de lixeiras em vários pontos:

Isso faz com que o cidado tenha descartar, mais facilmente, estes resíduos de adequada. A manuteno destas lixeiras, os recipientes e limpá-los, também é . Quando a v a limpa e sem , ela vai jogar o no correto.

O no Ibirapuera se repete em outros parques da cidades, o Villa Lobos e o Água Branca.

Além da melhora de infraestrutura nos parques, Silva acredita num de conscincia das pessoas:

Se ele joga o no , o é o próprio usuário. Nos parques isso deu . ainda sofremos com a questo de se jogar nas ruas. Ainda no conseguimos sensibilizar as pessoas de que a rua também é um público que deve ser zelado. O que ele frequenta, o cidado no quer . Com a rua, ele ainda no enxerga da mesma .

O Ibirapuera tem um esquema para o : duas equipes com 32 funcionários cada. Por ms, so coletadas 120 toneladas de , segundo dados da administrao do . De tudo que é , 70% vo para aterro sanitário. O , reciclável, é do por uma cooperativa.

Frequentadora do durante os dias de semana, a empresária Ana Paula Barros, de 41 anos, diz que costuma se deparar com um Ibirapuera , mesmo de megaeventos. Ela se surpreendeu, por exemplo, com a do após o feriado do dia 1 de Maio.

Uma milenar que perpassa os séculos

resíduos faz da humana. Com em estudos arqueológicos, hoje é possível que na pré-História já se queimava , supostamente para o , escreve Emí Eigenheer, da Uerj e do A história do A urbona através dos tempos (2009). O , em sua tese de doutorado na Alemanha, o trata seus resíduos até os dias de hoje.

corretamente o é uma questo decisiva para a das cidades, antes do pelas questes ambientais. O problema se agravou por de 4 anos a.C., quando ocorreu a fixao dos nmades em aldeias.

Durante a percebi que a relao do com seus resíduos e dejetos foi complicada. Além disso, os conceitos mudam dependendo do e do . Meu se concentrou no explica Eigenheer.

Roma e Grécia, na , atingiram, ao lado de outras cidades, . E por isso foram obrigadas a de sistemática com o seu . Havia o reaproveitamento do orgnico na . Inclusive as acumuladas nas estrebarias do Augias, revela a mitologia grega, eram desviadas para os campos. O da soluo, Hércules, foi o da urbana na Grécia antiga.

Extremamente complexa, Roma chegou a sete bombeiros. Seu de pública foi se constituindo aos poucos, e chegou ao na época dos imperadores. Estimativas indicam que a populao da cidade era de um milho de habitantes: Apesar de , o ato de jogar, noite, e urina pela tornou-se para muitos um hábito que se perpetuou em muitas cidades até o século XIX, com repercusso inclusive no Brasil. Em Paris, foi água pela até 1372. Bastava trs vezes, avisando. Esta prática, mesmo proibida, perdurou até 1780, e precisou ser coibida pela polícia.

Em 189 a.C., Roma comeou a pavimentar intensamente suas ruas. Leis indicavam que caberiam aos proprietários das casas a da calada até o da rua, no ano de 45 a.C.

Estas normas de Roma foram criadas para que o da calada fosse varrido para a , que passa a ser símbolo de decadncia. A do é essa ressalta o . E consta na Orgnica do Rio em vigor: os moradores so responsáveis pelas suas caladas.

A era uma funo que esteve frequentemente subordinada ao da cidade. A de prisioneiros e prostitutas também era . Foi na Idade Média que surgiram as primeiras proibies da destinao inadequada de dejetos por carroceiros, asim o lanamento de e nas ruas e o da água das chuvas de se de detritos.

A do final da Idade Média para a Modernidade, surgiram os servios organizados de urbona. A cidade de passou a carroas em 1340 para a coleta regular de . Em Paris, o comeou no final do século XIV. 1666, em Londres, que se com um servio organizado de de ruas. Sorteavam-se entre os cidados aqueles que, mediante , responsabilizavam-se pela conservao de áreas da cidade, ressalta o .

Na Inglaterra e nos Estados Unidos, na primeira metade do século XX, havia canteiros com medindo mais de dois metros de por sete metros de comprimento. Os americanos depositavam seus detritos em aterros sanitários, onde eram recobertos por terra. Assim, evitavam o de moscas, e . Atualmente, os aterros sanitários também requerem impermeabilizao do , do chorume e dos gases, além de paisagismo.

da Segunda Mundial, o de passou a ser maior, em decorrncia do industrial. Nos anos 70, surgiu uma sofisticada de resíduos sólidos na Alemanha. Em 1993, foram estabelecidos no país diferentes tipos de aterros sanitários. Sistemas de coleta seletiva, disseminados nacionalmente, facilitam a compostagem da matéria orgnica, a reciclagem de embalagens e a incinerao de produtos perigosos.

Para a história do no Brasil, o voltou ao em que as primeiras comunidades ocuparam nosso . Estes povos deixaram os sambaquis verdadeiras montanhas de conchas e artefatos que podiam mais de 30 metros de . Nestes sítios arqueológicos, pesquisadores encontram ossos de animais, sementes, objetos de e até mortais humanos. A referncia aos sambaquis serve também para que áreas de de em diferentes locais e épocas so fontes importantes de estudos e podem ensejar uma as estreitas relaes que se do entre , e memória, diz o .

Os padres de das cidades brasileiras so historicamente ruins, revelam vários documentos citados no . A efetivao dos servios de esbarrava em inúmeros entraves. Em 1876, a empresa de Aleixo Gary foi contratada no Rio de Janeiro. Daí veio a gari. A firma atuou até 1891. , a Inspetoria de Pública iniciou, em 1895, a construo de um forno para a de em Manguinhos. A incinerao se fez presente até os anos 1960. A Companhia de Urbona (Comlurb) surgiu em 1975, e permanece até hoje.

(Colaborou Jaqueline Falco)

ocaahae
 
Status: Offline
Mensagens: 88
Registrado em: Qua Abr 06, 2011 07:11

Voltar para Ciência

Quem está online

Usuários navegando neste fórum: Nenhum usuário registrado e 1 visitante

cron
Política de Privacidade